Todo ano o INEP publica os microdados do ENEM: a alternativa que cada participante marcou em cada questão, o gabarito oficial e os parâmetros da TRI de cada item. É a base mais completa que existe sobre a prova do ENEM. Quase ninguém a lê questão por questão.
Foi o que a X-TRI fez. Classificamos uma a uma as 3.123 questões aplicadas de 2009 a 2025, com disciplina, subtópico e um segundo eixo próprio de cada matéria: a lei física citada, a substância no centro da questão de Química, o organismo da de Biologia, o filósofo, o autor literário, a fonte do texto-base. Depois cruzamos as 906 questões dos últimos cinco ENEMs com 2,43 bilhões de respostas reais.
O resultado responde três perguntas, disciplina por disciplina: o que a prova parou de cobrar, o que passou a cobrar e onde o Brasil de fato erra. Para cada disciplina, listamos as questões mais erradas do ENEM no período. No fim, as que quase todo mundo erra e a faixa de cima acerta. São elas que mais separam as notas.
Neste estudo:
- Como lemos os microdados do ENEM
- A prova do ENEM em números
- O que saiu e o que entrou na prova
- Matemática · Física · Química · Biologia
- História · Geografia · Filosofia · Sociologia · Literatura
- O que separa a faixa de cima
- O que isso muda para escolas
- Perguntas frequentes
Como lemos os microdados do ENEM
São dois recortes, com propósitos diferentes.
- O que a prova cobrou, 2009 a 2025. 17 edições, 3.123 questões. Cada questão recebeu um subtópico, definido pelo que ela exige resolver e não pelo assunto do texto-base. Uma questão sobre chuveiro elétrico que pede potência é de potência elétrica, não de “cotidiano”. Na maior parte das tabelas comparamos três períodos: 2009–2014 (6 provas), 2015–2020 (6 provas) e 2021–2025 (5 provas).
- Onde o Brasil erra, 2021 a 2025. Para cada questão, a taxa de acerto de todos os presentes, calculada a partir das respostas e do gabarito publicados nos microdados. Também separamos o acerto por faixa de nota na própria área (600–700, 700–800 e, em Matemática, 800 ou mais). Itens anulados ficaram de fora. A numeração segue o caderno azul.
Um cuidado de leitura: taxa de acerto não é nota. A nota sai da correção pela TRI, que pondera cada item pela dificuldade, pela discriminação e pela chance de acerto casual (os parâmetros a, b e c). O acerto real mostra outra coisa: onde o país inteiro tropeça. E, quando comparamos faixas de nota, mostra qual conteúdo separa quem está em cima de quem está no meio.
Com 3 a 7 questões por subtópico em cinco anos, o acerto por subtópico é indicativo, não estatístico. Por isso mostramos sempre o número de questões ao lado.
A prova do ENEM em números: quanto o Brasil acerta
| Área | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Linguagens | 38,9% | 45,0% | 47,3% | 48,9% | 47,1% |
| Ciências Humanas | 38,9% | 41,2% | 48,2% | 42,8% | 37,4% |
| Ciências da Natureza | 30,5% | 27,6% | 27,8% | 30,5% | 33,8% |
| Matemática | 29,7% | 29,8% | 32,9% | 28,7% | 32,6% |
Taxa média de acerto de todos os presentes. Fonte: microdados do ENEM (INEP). Cálculo X-TRI.

Microdados do ENEM: estudo completo com 2,4 bi de respostas – Fonte: XTRI
Natureza e Matemática ficam perto de 30% todos os anos. Com cinco alternativas, um chute puro acertaria 20%. Nas duas áreas de exatas, o candidato médio acerta pouco mais do que acertaria marcando ao acaso.
As questões mais erradas do ENEM: 117 abaixo do chute
Entre 2021 e 2025, 117 questões ficaram abaixo de 20% de acerto:
| Área | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Total |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Natureza | 6 | 12 | 16 | 9 | 7 | 50 |
| Matemática | 6 | 9 | 5 | 8 | 10 | 38 |
| Linguagens | 5 | 5 | 3 | 1 | 2 | 16 |
| Humanas | 4 | 3 | 0 | 2 | 4 | 13 |
| Total | 21 | 29 | 24 | 20 | 23 | 117 |
Questões com menos de 20% de acerto. Fonte: microdados do ENEM (INEP). Cálculo X-TRI.
Dá para separar essas questões em dois tipos, e a diferença importa. Na maioria, o país erra mas a faixa de 700 a 800 acerta com folga: são questões de conteúdo, que premiam quem estudou. Em poucas, nem a faixa de cima passa de 40%. Chamamos essas de questões sem convergência: erram todos, inclusive os melhores. Elas aparecem marcadas nas tabelas de cada disciplina.
Se você quer entender por que questões assim pesam tanto na nota, leia as questões que definem sua nota no ENEM.
O que saiu e o que entrou na prova do ENEM
Primeiro o peso de cada disciplina. Em Natureza, quase nada mudou. Em Humanas, a prova virou de ponta-cabeça.

Microdados do ENEM: estudo completo com 2,4 bi de respostas – Fonte: XTRI
Dentro de cada disciplina, as mudanças são ainda maiores. Os dez subtópicos que mais perderam espaço e os dez que mais ganharam:
Se a pergunta for só frequência, temos um levantamento dedicado a o que mais cai no ENEM. A seguir, cada disciplina com o que caiu, o que mudou e onde o país erra.
Matemática no ENEM: um terço da prova é proporção e leitura de dados
São 45 questões por prova, 759 em 17 edições. Dois blocos respondem por um terço de tudo: proporcionalidade e porcentagem (153 questões) e leitura de dados (97). Depois vêm álgebra e funções (106), geometria plana (93) e geometria espacial (90).
O que mudou na Matemática do ENEM
| Subtópico | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Regra de três simples e grandezas proporcionais | 22 | 20 | 10 |
| Leitura de gráficos de linhas e barras | 20 | 16 | 9 |
| Conversão de unidades e medidas de tempo | 10 | 5 | 4 |
| Poliedros, sólidos de revolução e visão espacial | 10 | 5 | 4 |
| Potências, notação científica e ordem de grandeza | 7 | 3 | 1 |
| Geometria analítica | 7 | 7 | 3 |
| Média aritmética e ponderada | 6 | 11 | 12 |
| Razão, taxa, densidade, vazão e velocidade média | 4 | 5 | 9 |
| Projeções ortogonais, vistas e trajetórias | 4 | 5 | 8 |
| Divisibilidade, MMC e sistemas de numeração | 7 | 5 | 10 |
| Áreas de superfície e planificações | 2 | 1 | 5 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
Geometria plana caiu de 36 para 20 questões entre 2009–14 e 2021–25. Leitura de dados, de 39 para 22. A regra de três, que era a espinha da prova, perdeu mais da metade do espaço.
Cenário e suporte: a prova virou texto
Só 26 das 759 questões não têm contexto. Construção e engenharia lidera com 114 questões; comércio e consumo, 98; esporte e jogos, 70; saúde e corpo, 63. Tecnologia e internet quase dobrou (10 para 19); agricultura e ambiente caiu de 23 para 9.
O formato mudou mais que o conteúdo. Questões com figura geométrica ou imagem caíram de 66 para 27. Em 2021–2025, 129 das 217 questões (59%) são só texto; em 2009–2014 eram 51%. O aluno precisa montar a figura na cabeça a partir do enunciado.
Onde o Brasil erra em Matemática
Acerto de 30,6% em 217 questões, com 40 abaixo de 20%.
| Subtópico | Questões | Acerto geral | Nota 800+ |
|---|---|---|---|
| Função quadrática: vértice, máximo e mínimo | 5 | 17,6% | 62,4% |
| Volume de cones, pirâmides, esferas e troncos | 4 | 19,6% | 75,2% |
| Combinações e arranjos | 5 | 19,7% | 55,8% |
| Probabilidade condicional e eventos sucessivos | 4 | 21,7% | 52,8% |
| Probabilidade simples | 7 | 22,8% | 80,4% |
| Área de polígonos e círculo | 7 | 24,6% | 80,0% |
| Porcentagem | 14 | 28,1% | 81,6% |
| Regra de três simples | 10 | 31,0% | 79,4% |
| Média aritmética e ponderada | 12 | 39,4% | 96,3% |
| Leitura de tabelas | 12 | 44,4% | 93,4% |
Acerto 2021–2025, todos os presentes e faixa de 800 ou mais em Matemática. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
Por bloco, combinatória (22,2%) e probabilidade (22,4%) ficam no fundo; leitura de dados (42,8%) e estatística (36,9%), no topo. O formato pesa: questão com tabela rende 40% de acerto, com gráfico 36%, só com texto 29%.
| Ano · questão | O que pedia | Subtópico | Geral | Nota 800+ |
|---|---|---|---|---|
| 2023 · 163 | Vista superior da patrulha do vigilante | Projeções ortogonais | 8,4% | 63,0% |
| 2022 · 178 | Docinhos esféricos e porções de massa | Volume de esferas | 8,7% | 73,1% |
| 2025 · 140 | Solução com 99,95% de S1 | Porcentagem | 9,1% | 53,3% |
| 2023 · 170 | Montante diário e desempenho da empresa | Função quadrática | 11,3% | 65,7% |
| 2024 · 151 | Maquete do museu e área do vão | Escala | 13,2% | 78,4% |
| 2025 · 171 | Tortas cilíndricas e a caixa | Área do círculo | 13,3% | 67,2% |
| 2025 · 178 | Dados de Artur e João | Probabilidade condicional | 13,9% | 55,1% |
| 2024 · 180 | Equipe de cardiologistas e neurologistas | Combinações | 14,1% | 76,8% |
| 2022 · 150 | Saque de vôlei e o teto do ginásio | Função quadrática | 14,7% | 41,3% |
| 2025 · 160 | Recipiente e a tangente | Funções trigonométricas | 15,0% | 31,1% ⚠ |
| 2025 · 175 | Oito presentes para três filhos | Combinações | 15,0% | 33,0% ⚠ |
As questões de Matemática mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência: nem a faixa 800+ passou de 33%.
As mais acertadas são de leitura direta: escrever 1,35 bilhão (2022, 67%), média das franquias de hamburgueria em tabela (2021, 64%), frequência respiratória na meditação em gráfico (2025, 64%).
Na prática: a prova cobra menos regra de três pura e mais média, taxa e vazão, quase sempre em texto corrido. Combinatória, probabilidade e função quadrática derrubam até a faixa de 800 ou mais. Leitura de tabela e gráfico é o ponto mais garantido da prova e não pode ser perdido.
Física no ENEM: a disciplina que mais derruba em Natureza
São 14,8 questões por prova, um terço de Natureza, nunca menos de 11 e nunca mais de 18. Foram 251 questões em 17 edições.
O que mudou na Física do ENEM
| Subtópico | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Circuitos elétricos: resistores, lei de Ohm, associações, fusíveis | 10 | 11 | 12 |
| Hidrostática: pressão, empuxo, Pascal | 10 | 8 | 2 |
| Cinemática: velocidade, aceleração, gráficos, queda livre | 3 | 5 | 8 |
| Acústica: som, instrumentos, efeito Doppler | 3 | 7 | 6 |
| Transmissão de calor: condução, convecção, irradiação | 1 | 3 | 6 |
| Ondas: reflexão, refração, difração, ressonância | 7 | 4 | 2 |
| Movimento circular e gravitação | 6 | 4 | 3 |
| Física quântica e relatividade | 0 | 0 | 2 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
Ohm, Faraday e Newton
Em 67 das 251 questões, uma lei ou um cientista aparece pelo nome. Ohm lidera com 14, em 12 edições diferentes. Indução de Faraday tem 11; leis de Newton, 10; Arquimedes, 6 (nenhuma desde 2021). Depois disso, ninguém passa de 3.
O cenário raramente é abstrato. Laboratório e experimento aparecem em 49 questões; casa e eletrodomésticos (chuveiro, geladeira, conta de luz), em 44; carro e transporte (freio, cinto, radar), em 33; corpo humano, em 19; esporte, em 18.
Onde o Brasil erra em Física
Física teve 27,8% de acerto em 2021–2025, contra 29,8% de Química e 32,7% de Biologia. Foi a disciplina mais errada de Natureza em quatro dos cinco anos. 17 das 74 questões ficaram abaixo de 20%.
| Subtópico | Questões | Geral | Nota 600–700 | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|---|
| Magnetismo e indução | 4 | 19,2% | 31,5% | 77,4% |
| Leis de Newton e forças | 4 | 21,9% | 37,9% | 64,2% |
| Calorimetria e mudanças de fase | 3 | 22,2% | 37,9% | 67,8% |
| Radioatividade e física nuclear | 3 | 23,0% | 48,9% | 80,7% |
| Circuitos elétricos | 11 | 25,9% | 43,6% | 69,8% |
| Cinemática | 8 | 27,7% | 47,4% | 71,1% |
| Transmissão de calor | 6 | 37,0% | 66,1% | 83,9% |
Acerto 2021–2025 por faixa de nota em Natureza. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
| Ano · questão | O que pedia | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| 2025 · 108 | Leis de Newton: atrito no plano inclinado | 9,4% | 51,3% |
| 2022 · 123 | Gravitação: buraco negro e órbitas | 10,8% | 54,1% |
| 2023 · 113 | Espectro eletromagnético: bluetooth | 11,0% | 43,1% |
| 2023 · 108 | Indução: fogão por indução | 11,3% | 78,1% |
| 2023 · 117 | Radioatividade: raios cósmicos e sievert | 12,0% | 56,2% |
| 2023 · 120 | Circuitos: três lâmpadas, queima de L2 | 12,4% | 31,9% ⚠ |
| 2025 · 113 | Eletrostática: tubo de imagem | 12,5% | 66,2% |
| 2024 · 103 | Transmissão de calor: aquecedor solar | 13,4% | 63,2% |
| 2025 · 135 | Física quântica: fotoluminescência | 15,1% | 81,6% |
| 2022 · 95 | Magnetismo: bússolas de Oersted | 15,9% | 77,8% |
As questões de Física mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência.
A mais acertada foi a de interferência entre celular e rádio do avião (2023, 71%). Por contexto, trabalho e indústria (19,6%) e espaço e astronomia (20,4%) são os cenários que mais derrubam.
Na prática: hidrostática perdeu o lugar; cinemática e transmissão de calor ganharam. Circuitos seguem como o assunto mais cobrado e ainda assim têm 26% de acerto. O salto de 600–700 para 700–800 em magnetismo (de 31% para 77%) mostra que eletromagnetismo é conteúdo que separa nota.
Química no ENEM: a conta derruba mais que o conceito
São 14,4 questões por prova, 245 em 17 edições. O pico foi 2010, com 19. De 2022 a 2024 a prova teve só 12 questões de Química por edição.
O que mudou na Química do ENEM
| Subtópico | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Polaridade, interações intermoleculares e solubilidade | 8 | 12 | 5 |
| Estequiometria: mol, massa molar, rendimento e pureza | 9 | 6 | 8 |
| Funções orgânicas e nomenclatura | 8 | 6 | 6 |
| Química do ar: efeito estufa, chuva ácida, ozônio | 9 | 3 | 2 |
| Combustíveis: petróleo, etanol, biodiesel, octanagem | 8 | 3 | 2 |
| Resíduos, reciclagem e solo | 6 | 5 | 1 |
| Termoquímica | 3 | 5 | 0 |
| Oxirredução: NOX, oxidante e redutor | 1 | 3 | 4 |
| Reações inorgânicas e balanceamento | 1 | 2 | 4 |
| Química da água: tratamento e poluição | 2 | 1 | 4 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
CO2, etanol e alumínio
Cada questão de Química tem uma substância no centro. CO2 lidera com 9 questões, etanol e alumínio têm 7, petróleo 6, metano e cobre 5. O cenário mais comum é ambiental (55 questões), mas caiu de 25 para 14 entre os períodos. Laboratório fez o caminho inverso: de 5 para 9.
Onde o Brasil erra em Química
Química teve 29,8% de acerto em 63 questões, com 12 abaixo de 20%. Questões de cálculo (estequiometria, soluções, termoquímica, cinética) ficaram em 25,9%; conceituais, em 30,7%. Estequiometria caiu de 34,4% de acerto em 2021 para 11,8% em 2025.
| Subtópico | Questões | Geral | Nota 600–700 | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|---|
| Polaridade e solubilidade | 5 | 23,4% | 52,9% | 85,0% |
| Estequiometria | 7 | 23,5% | 38,1% | 75,9% |
| Cinética química | 3 | 25,0% | 59,5% | 91,5% |
| Equilíbrio químico | 3 | 25,7% | 43,7% | 72,7% |
| pH, ácido-base | 4 | 25,8% | 35,1% | 60,2% |
| Funções orgânicas | 6 | 30,0% | 59,8% | 88,3% |
| Pilhas e baterias | 4 | 36,0% | 59,8% | 85,7% |
| Separação de misturas | 3 | 38,7% | 60,4% | 84,1% |
Acerto 2021–2025 por faixa de nota em Natureza. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
| Ano · questão | Subtópico | Substância | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|---|
| 2025 · 131 | Estequiometria | nióbio | 11,8% | 68,9% |
| 2023 · 129 | Polaridade e solubilidade | Aldrin no leite materno | 12,5% | 86,4% |
| 2023 · 123 | Isomeria óptica | ibuprofeno | 13,7% | 87,0% |
| 2025 · 121 | Funções inorgânicas | dimetilamina | 15,0% | 54,9% |
| 2023 · 94 | Química da água | água dura | 16,0% | 41,3% |
| 2021 · 135 | Polímeros | polímero condutor | 16,9% | 84,3% |
| 2021 · 133 | Pilhas e baterias | lítio-iodo | 17,0% | 63,9% |
| 2024 · 135 | Estequiometria | alumínio (bauxita) | 19,6% | 92,2% |
| 2022 · 106 | pH | penicilamina | 19,7% | 34,7% ⚠ |
As questões de Química mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência.
As mais acertadas: CO2 e química do ar (2025, 62,5%), água destilada e separação de misturas (2025, 59,9%), açúcar no refrigerante e concentração (2023, 52,3%).
Na prática: química ambiental descritiva, que dominava a prova até 2014, virou exceção. O núcleo estável é solubilidade, estequiometria e orgânica. A estequiometria da bauxita (2024) é o retrato do problema: 20% no país, 92% na faixa de cima. Quem domina o cálculo sobe de faixa.
Biologia no ENEM: a célula derruba, a ecologia salva
São 15,1 questões por prova, 256 em 17 edições, nunca menos de 12 e nunca mais de 19.
O que mudou na Biologia do ENEM
| Bloco | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Ecologia e ambiente | 29 | 17 | 13 |
| Célula e moléculas | 15 | 19 | 14 |
| Genética e evolução | 18 | 14 | 15 |
| Saúde e microbiologia | 18 | 8 | 15 |
| Fisiologia humana | 11 | 13 | 12 |
| Botânica e zoologia | 3 | 12 | 10 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
Ecologia era quase um terço da Biologia em 2009–2014 (29 de 94) e caiu para 13. Cadeias alimentares e bioacumulação foram de 6 para 1. Botânica e zoologia saíram de 3 para 10. O subtópico mais cobrado em 17 anos é impactos ambientais (22 questões), seguido de biotecnologia (16) e metabolismo energético (15).
Gente, planta, bactéria e vírus
O ser humano é o protagonista de 56 questões; plantas, de 30; bactérias, de 15; vírus, de 13; mosquitos e insetos, de 13. Saúde pública passou de 21 para 26 questões entre os períodos, enquanto laboratório e biotecnologia caiu de 22 para 12.
Onde o Brasil erra em Biologia
Biologia é a mais acertada de Natureza, com 32,7% em 78 questões. Mesmo assim, 21 ficaram abaixo de 20%.
| Subtópico | Questões | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| Biomoléculas e enzimas | 3 | 18,5% | 92,4% |
| Doenças parasitárias e vetores | 4 | 22,4% | 68,3% |
| Metabolismo energético | 6 | 23,7% | 76,9% |
| Botânica: fisiologia vegetal | 4 | 23,9% | 72,2% |
| Biotecnologia | 5 | 29,4% | 72,7% |
| Evolução | 5 | 37,9% | 86,2% |
| Imunologia | 4 | 38,4% | 92,3% |
| Relações ecológicas | 3 | 60,2% | 90,4% |
| Sistema digestório e nutrição | 3 | 60,9% | 88,0% |
Acerto 2021–2025. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
Por bloco, célula e moléculas tem 23,1% de acerto; ecologia e ambiente, 41,9%. É o bloco que mais saiu da prova que o aluno mais acerta, e o que ficou é o que ele mais erra.
| Ano · questão | O que pedia | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| 2024 · 95 | Biotecnologia: clonagem gênica e plasmídeos | 8,7% | 53,6% |
| 2021 · 119 | Botânica: anatomia da madeira | 11,1% | 32,6% ⚠ |
| 2024 · 115 | Organelas: citocalasina e microfilamentos | 11,2% | 61,1% |
| 2022 · 102 | Biotecnologia: PCR da covid | 12,5% | 23,1% ⚠ |
| 2022 · 98 | Biotecnologia: terapia gênica da retina | 12,6% | 65,8% |
| 2023 · 99 | Leishmaniose e o sangue | 14,1% | 49,5% |
| 2022 · 125 | Genética humana: mosaicismo do cromossomo X | 14,2% | 80,0% |
| 2023 · 101 | Reprodução: TPM e corpo lúteo | 15,7% | 55,1% |
| 2024 · 98 | Zoologia: cladograma e reprodução | 15,8% | 68,6% |
| 2023 · 127 | Metabolismo: cianeto e NADH | 15,9% | 49,2% |
As questões de Biologia mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência.
Três das oito piores são de biotecnologia. A mais acertada de toda Natureza no período também é de Biologia: feijão na panela de ferro e anemia (2023, 88,4%).
Na prática: a Biologia do ENEM saiu da ecologia descritiva e foi para a célula, a genética e a saúde pública. Biomoléculas e enzimas tem 18,5% de acerto no país e 92,4% na faixa de 700 a 800: é o maior salto da disciplina.
História no ENEM: de 23 questões para 8
Em 2009 e 2010, História era metade da prova de Humanas: 23 de 45 questões. Em 2023 foram 8; em 2024 e 2025, 10 e 11. São 261 questões em 17 edições. História do Brasil caiu de 72 para 29 questões entre 2009–14 e 2021–25; História geral, de 48 para 24.
O que mudou na História do ENEM
| Subtópico | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Era Vargas: Revolução de 30, Estado Novo, trabalhismo | 9 | 8 | 5 |
| Idade Média: feudalismo, Igreja, mundos islâmico e africano | 3 | 8 | 7 |
| Segundo Reinado: café, Guerra do Paraguai, sociedade | 8 | 2 | 5 |
| Guerra Fria, descolonização e direitos civis | 7 | 4 | 0 |
| Revolução Industrial e mundo do trabalho | 6 | 3 | 1 |
| Primeira República: coronelismo e oligarquias | 6 | 3 | 1 |
| Renascimento, humanismo e Revolução Científica | 5 | 0 | 0 |
| Grécia antiga: pólis e democracia | 4 | 4 | 0 |
| Redemocratização e Constituição de 1988 | 4 | 1 | 0 |
| Iluminismo e cultura do Antigo Regime | 0 | 1 | 4 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
Era Vargas é o subtópico mais cobrado em 17 anos, com 22 questões, e segue firme. Guerra Fria, Grécia, Revolução Francesa, Renascimento e Constituição de 1988 zeraram em 2021–2025.
O fio por trás do período, e a fonte
Além do período, cada questão tem um tema transversal: poder, Estado e propaganda (48 questões), trabalho e economia (36), cidadania, voto e direitos (31), escravidão e resistência negra (24). Ciência, técnica e comunicação foi o único tema que cresceu com força: de 6 para 8 questões, mesmo com a disciplina encolhendo.
A fonte mudou ainda mais. Charge, foto e mapa eram 19 questões em 2009–2014; em 2021–2025, uma. Documento de época caiu de 35 para 9. Hoje 66% das questões partem de texto de historiador.
Onde o Brasil erra em História
História teve 39,3% de acerto em 53 questões, e só 2 ficaram abaixo de 20%. Ninguém chuta História: o aluno lê e escolhe. O problema é escolher errado em textos longos de historiografia (36,6% de acerto, contra 46% em imprensa e propaganda).
| Subtópico | Questões | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| República de 1946: Vargas, JK, Jango e a crise pré-64 | 3 | 23,7% | 65,4% |
| Idade Média | 7 | 34,2% | 73,2% |
| Sociedade colonial: Igreja, Inquisição, festas | 3 | 34,3% | 94,4% |
| Segundo Reinado | 5 | 39,2% | 84,0% |
| Era Vargas e Estado Novo | 5 | 49,0% | 90,9% |
| Expansão marítima e conquista da América | 4 | 49,1% | 94,6% |
Acerto 2021–2025 por faixa de nota em Humanas. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
| Ano · questão | O que pedia | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| 2021 · 76 | Cristandade do século XII e movimentos heréticos | 19,0% | 34,5% ⚠ |
| 2025 · 64 | Aliados de Vargas em 1954 | 19,4% | 51,8% |
| 2024 · 49 | Ciência e visão republicana no fim do século XIX | 23,1% | 94,9% |
| 2021 · 80 | Pensamento social brasileiro dos anos 1950–60 | 23,4% | 59,0% |
| 2022 · 50 | Madeira-Mamoré e a ocupação da Amazônia | 25,3% | 73,2% |
| 2021 · 56 | Mulheres naturalistas no século XIX | 25,8% | 74,3% |
| 2025 · 52 | O nome da gripe espanhola | 26,0% | 84,8% |
| 2025 · 83 | Impressão Régia de 1808 | 27,0% | 63,0% |
As questões de História mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência.
A de ciência e República (2024) teve a maior distância da disciplina: 23% no país, 95% na faixa de cima. A mais acertada foi a das capas do DIP para o Travel in Brazil (2024, 74,5%), justamente a única questão com imagem no período.
Na prática: menos questões, textos mais longos, mais Idade Média e Iluminismo, menos século XX. Veja também História no ENEM segundo a TRI.
Geografia no ENEM: a disciplina mais estável de Humanas
São 14,7 questões por prova, 250 em 17 edições, nunca menos de 11 e nunca mais de 19. Enquanto História despencou, Geografia ficou onde estava.
O que mudou na Geografia do ENEM
| Bloco / subtópico | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Espaço rural (bloco) | 19 | 10 | 7 |
| Questão ambiental (bloco) | 19 | 14 | 9 |
| Espaço urbano (bloco) | 8 | 10 | 11 |
| Geopolítica (bloco) | 3 | 8 | 6 |
| Estrutura fundiária, reforma agrária e conflitos no campo | 7 | 1 | 1 |
| Desmatamento, desertificação e degradação de biomas | 5 | 4 | 0 |
| Migrações internacionais, refugiados e apátridas | 2 | 2 | 4 |
| Urbanização e metropolização | 3 | 2 | 4 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
O subtópico mais cobrado em 17 anos é agronegócio e modernização agrícola, com 16 questões.
Mais Brasil, menos mundo
O Brasil e suas regiões são o palco de 122 das 250 questões; em 2021–2025, 60%. A escala global caiu de 23 para 10 questões. África: 3 em 2009–2014, nenhuma em 2021–2025. Amazônia é a região mais cobrada depois de Sudeste e Sul, com 15 questões. Notícia de jornal virou quase um terço das fontes; mapa, gráfico e imagem caíram de 23 para 11.
Onde o Brasil erra em Geografia
Geografia teve 40,7% de acerto em 67 questões, com 4 abaixo de 20%.
| Subtópico | Questões | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| Blocos econômicos, comércio e divisão internacional do trabalho | 4 | 25,1% | 83,8% |
| Cartografia: escala, projeções, coordenadas e fusos | 3 | 26,4% | 69,2% |
| Clima | 3 | 35,8% | 88,1% |
| Agronegócio e modernização agrícola | 4 | 38,7% | 90,3% |
| Migrações internacionais e refugiados | 4 | 40,3% | 97,8% |
| Urbanização e metropolização | 4 | 46,0% | 96,8% |
| Mudanças climáticas e acordos do clima | 3 | 56,6% | 96,8% |
Acerto 2021–2025 por faixa de nota em Humanas. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
| Ano · questão | O que pedia | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| 2022 · 78 | Escala do mapa dos destroços perto de Perth | 14,8% | 96,0% |
| 2021 · 89 | Sombra do Congresso em 21 de junho ao meio-dia | 15,1% | 36,0% ⚠ |
| 2021 · 50 | Lixo eletrônico e divisão internacional do trabalho | 18,3% | 81,2% |
| 2025 · 59 | Falta de chuvas e geração de energia | 18,8% | 92,2% |
| 2024 · 89 | Conselho de Segurança da ONU | 21,6% | 79,1% |
| 2022 · 62 | Tarifa Externa Comum do Mercosul | 23,9% | 82,8% |
| 2022 · 51 | Economia informacional e desterritorialização | 24,2% | 99,3% |
As questões de Geografia mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência.
A escala de Perth é o exemplo mais claro de questão de conteúdo: 15% no país, 96% na faixa de cima. As mais acertadas vieram de simulações de emissões de carbono (2023, 75%), da cabruca no sul da Bahia (2023, 66%) e do discurso de Txai Suruí na COP-26 (2023, 61%).
Na prática: menos campo, mais cidade e geopolítica, quase tudo com recorte brasileiro e fonte jornalística. Cartografia e blocos econômicos são os pontos fracos. Mais em Geografia no ENEM segundo a TRI.
Filosofia no ENEM: de zero a 12 questões
Em 2009 não havia nenhuma questão de Filosofia. Em 2025, 12 das 45 de Humanas. São 112 questões em 17 edições: 23 em 2009–2014, 47 em 2015–2020 e 42 em 2021–2025.
O que mudou na Filosofia do ENEM
| Bloco / subtópico | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Contemporânea (bloco) | 3 | 4 | 12 |
| Moderna (bloco) | 6 | 11 | 3 |
| Medieval (bloco) | 0 | 4 | 0 |
| Democracia e esfera pública: Habermas, Arendt, Bobbio | 4 | 4 | 2 |
| Foucault: poder, disciplina, panóptico | 3 | 1 | 3 |
| Escola de Frankfurt: Adorno, Marcuse, indústria cultural | 0 | 0 | 3 |
| Deleuze, Bauman e a filosofia do presente | 0 | 0 | 3 |
| Contratualismo: Hobbes, Rousseau | 0 | 2 | 0 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
Foucault é o filósofo do ENEM
Foucault aparece em 6 questões, 4 delas desde 2021. Kant, Aristóteles e Descartes têm 5 cada. Habermas teve 3 até 2020 e nenhuma depois. Vinte questões não nomeiam filósofo nenhum: partem de um conceito. E 62% das questões usam o texto do próprio filósofo, não um manual.
Onde o Brasil erra em Filosofia
Filosofia é a menos acertada de Humanas: 35,4%, contra 39,3% de História, 40,7% de Geografia e 49,2% de Sociologia. Sete das 42 questões ficaram abaixo de 20%.
| Subtópico | Questões | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| Foucault: poder, disciplina e subjetivação | 3 | 28,8% | 77,3% |
| Justiça, direito e desigualdade: Rawls, Sen | 3 | 30,1% | 65,8% |
| Escola de Frankfurt | 3 | 31,8% | 65,9% |
| Ética: utilitarismo e regra de ouro | 3 | 34,7% | 78,7% |
| Sócrates e os sofistas | 3 | 41,5% | 88,3% |
| Alteridade, cuidado, bioética e educação | 3 | 52,9% | 93,8% |
Acerto 2021–2025 por faixa de nota em Humanas. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
| Ano · questão | O que pedia | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| 2024 · 78 | Regra de ouro e imperativo categórico (Kant) | 11,5% | 66,0% |
| 2022 · 88 | Sêneca e a moderação das paixões | 13,0% | 51,7% |
| 2024 · 82 | O peru de Russell e a indução | 15,3% | 59,1% |
| 2022 · 86 | Empédocles e a arché | 15,5% | 75,4% |
| 2025 · 66 | Marcuse e a sociedade unidimensional | 17,4% | 37,1% ⚠ |
| 2021 · 64 | Deleuze e Guattari: maioria e minoria | 18,0% | 67,4% |
| 2025 · 79 | Bentham: punição e felicidade | 20,0% | 59,0% |
| 2025 · 48 | Hume e a eloquência | 24,6% | 96,1% |
As questões de Filosofia mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência.
A mais acertada foi a de ética do cuidado e pessoa com deficiência (2024, 74,6%). Questões sem filósofo nomeado têm 44,4% de acerto; as de Foucault, 32,8%.
Na prática: a disciplina que mais cresceu em proporção é a mais errada da área, e o crescimento veio justamente da filosofia contemporânea, que costuma ficar para o fim do currículo. Detalhamos a disciplina em Filosofia no ENEM segundo a TRI.
Sociologia no ENEM: dobrou em 17 anos
Eram 6,3 questões por prova em 2009–2014; são 12,4 em 2021–2025. Foram 140 questões em 17 edições, com pico em 2023 (15).
O que mudou na Sociologia do ENEM
| Subtópico | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 |
|---|---|---|---|
| Cultura, patrimônio e memória: festas, museus, bens imateriais | 5 | 5 | 12 |
| Gênero: feminismo, mulheres, violência e representação | 1 | 5 | 8 |
| Trabalho: flexibilização, precarização, automação | 6 | 2 | 6 |
| Racismo, movimento negro e ações afirmativas | 2 | 0 | 5 |
| Povos indígenas: direitos, saberes e protagonismo | 0 | 0 | 4 |
| Mídia, internet e sociedade da informação | 5 | 5 | 3 |
| Clássicos: Marx, Weber, Durkheim (bloco) | 2 | 4 | 1 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
Quem é o sujeito da questão
Em 2021–2025, 40 das 62 questões nomeiam um grupo social: mulheres em 11, trabalhadores e população negra em 7 cada, povos indígenas em 6. Jovens e LGBT+ só apareceram como protagonistas até 2014. Literatura e canção como fonte (Carolina de Jesus, Zé Ramalho, Euclides da Cunha) foram de 1 para 7 questões.
Onde o Brasil erra em Sociologia
Sociologia é a mais acertada de Humanas: 49,2%, com uma única questão abaixo de 20% em cinco anos.
| Subtópico | Questões | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| Movimentos sociais | 3 | 41,9% | 96,0% |
| Direitos humanos, minorias e refugiados | 4 | 42,3% | 88,7% |
| Povos indígenas | 4 | 43,5% | 94,9% |
| Cultura, patrimônio e memória | 12 | 45,5% | 87,4% |
| Gênero | 8 | 48,3% | 85,2% |
| Racismo e movimento negro | 5 | 58,6% | 97,8% |
| Desigualdade, pobreza e fome | 3 | 68,8% | 98,6% |
Acerto 2021–2025 por faixa de nota em Humanas. Fonte: microdados do ENEM (INEP).
A fonte muda tudo: com texto acadêmico, 43% de acerto; com imagem ou charge, 64%.
| Ano · questão | O que pedia | Geral | Nota 700–800 |
|---|---|---|---|
| 2025 · 74 | Invisibilização da religião dos orixás | 19,1% | 85,0% |
| 2025 · 76 | Bobbio: direitos humanos como convenções | 22,6% | 76,9% |
| 2024 · 73 | Capas de cordel e estética editorial | 24,9% | 40,3% ⚠ |
| 2023 · 50 | A história do negro além da escravidão | 25,6% | 96,5% |
| 2022 · 66 | Lei de 1827 e a educação das meninas | 27,0% | 54,4% |
| 2025 · 81 | Saffioti e a delegacia da mulher | 29,8% | 72,6% |
| 2024 · 74 | Círio de Nazaré como patrimônio | 31,3% | 83,8% |
As questões de Sociologia mais erradas de 2021–2025. ⚠ = sem convergência.
As mais acertadas partiram de Carolina de Jesus: racismo estrutural (2022, 86%) e fome (2023, 81%).
Na prática: patrimônio e memória, o tema que mais cresceu, tem acerto abaixo da média da disciplina. Leia Sociologia no ENEM segundo a TRI e o ranking de dificuldade das matérias de Humanas.
Literatura no ENEM: quem cai e quanto cai
São 7,9 questões por prova, 16% de Linguagens, nunca menos de 5 e nunca mais de 10. Foram 134 questões em 17 edições, com escola literária e autor identificados uma a uma.
A escola que mais cai não está na apostila
| Escola literária | 2009–14 | 2015–20 | 2021–25 | Total |
|---|---|---|---|---|
| Literatura contemporânea (pós-1960) | 6 | 31 | 15 | 52 |
| Modernismo: 2ª geração e romance de 30 | 6 | 5 | 5 | 16 |
| Modernismo: geração de 45 | 6 | 6 | 2 | 14 |
| Realismo e Naturalismo | 3 | 3 | 6 | 12 |
| Modernismo: 1ª geração | 7 | 0 | 2 | 9 |
| Pré-Modernismo | 4 | 1 | 3 | 8 |
| Romantismo | 1 | 0 | 3 | 4 |
Número de questões por período. Classificação X-TRI.
Autores pós-1960 (Conceição Evaristo, Hilda Hilst, Leminski, Itamar Vieira Junior) são 39% de toda a Literatura do ENEM. A Semana de 22 caiu 7 vezes até 2014 e sumiu por seis anos. Realismo e Naturalismo dobraram nos últimos cinco.
Machado de Assis e depois, ninguém
Machado caiu 7 vezes em 17 anos, 4 delas nos últimos 5. Depois dele, nenhum autor passa de 3 aparições (Clarice Lispector, Manuel Bandeira, João Cabral, Gilka Machado, Luis Fernando Verissimo). Foram 102 autores diferentes em 132 questões com autor identificado. Decorar autor não funciona.
Onde o Brasil erra em Literatura
Em todos os cinco anos, Literatura teve acerto menor que o resto de Linguagens:
| Ano | Literatura | Demais questões de Linguagens |
|---|---|---|
| 2021 | 32,5% | 40,2% |
| 2022 | 41,8% | 45,8% |
| 2023 | 39,1% | 50,1% |
| 2024 | 42,0% | 50,4% |
| 2025 | 41,0% | 48,1% |
Fonte: microdados do ENEM (INEP). Cálculo X-TRI.
O gênero do texto-base pesa em toda a prova de Linguagens: crônica rende 36% de acerto, prosa literária 39%, poema 43%, canção 48%, notícia 53% e campanha institucional 61%.
As quatro questões de Machado em 2021–2025 tiveram 33% de acerto médio: Um homem célebre (31%), Singular ocorrência (40%), Memórias póstumas de Brás Cubas (42%) e Esaú e Jacó (23%). A questão de Manuel de Oliveira Paiva (2022) teve 16% de acerto no país e 99% entre quem tirou de 700 a 800. Na outra ponta, a de Fernando Sabino (2021, geração de 45) teve 6,8%, a mais errada de todo o ENEM no período, e nem a faixa de cima passou de 26%.
Na prática: quem lê literatura acerta; quem não lê, chuta. Para o restante da área, veja os conteúdos que diminuem a TRI em Linguagens.
O que separa a faixa de cima no ENEM
Os microdados do ENEM permitem ver o acerto por faixa de nota. É aí que aparece o conteúdo que separa um candidato forte de um mediano:
| Área | Conteúdo | Faixa do meio | Faixa de cima |
|---|---|---|---|
| Natureza | Estequiometria | 38% (600–700) | 76% (700–800) |
| Natureza | Polaridade e solubilidade | 53% (600–700) | 85% (700–800) |
| Natureza | Magnetismo e indução | 32% (600–700) | 77% (700–800) |
| Humanas | Globalização | 53% (600–700) | 87% (700–800) |
| Linguagens | Gêneros textuais | 58% (600–700) | 88% (700–800) |
| Matemática | Função quadrática | 30% (700–800) | 62% (800+) |
| Matemática | Razão, taxa e vazão | 57% (700–800) | 89% (800+) |
| Matemática | Volume de prismas e cilindros | 59% (700–800) | 91% (800+) |
Acerto 2021–2025 por faixa de nota na própria área. Fonte: microdados do ENEM (INEP). Cálculo X-TRI.
E as questões em que a distância entre o país e a faixa de cima foi maior, em cada disciplina:
- Geografia: escala do mapa de Perth (2022), 15% no país e 96% na faixa de 700–800.
- Sociologia: a história do negro além da escravidão (2023), 26% e 97%.
- Filosofia: Hume e a eloquência (2025), 25% e 96%.
- História: ciência e visão republicana (2024), 23% e 95%.
- Literatura: Manuel de Oliveira Paiva (2022), 16% e 99%.
- Química: isomeria do ibuprofeno (2023), 14% e 87%; Aldrin no leite materno (2023), 12,5% e 86%.
- Biologia: mosaicismo do cromossomo X (2022), 14% e 80%.
- Física: fogão por indução (2023), 11% e 78%.
- Matemática: maquete do museu (2024), 13% e 78% na faixa de 800 ou mais.
Essas questões não medem sorte, medem conteúdo. E é exatamente o tipo de item que a TRI usa para separar notas.
O que isso muda para escolas, cursinhos e estudantes
Para coordenação e direção, quatro perguntas práticas:
- A grade de Humanas acompanha a prova atual? História caiu de 20 para 10,6 questões por prova; Sociologia e Filosofia, somadas, foram de 10 para 21.
- O conteúdo dentro de cada disciplina foi atualizado? Hidrostática, química do ar, Guerra Fria, reforma agrária e regra de três perderam espaço. Filosofia contemporânea, gênero, patrimônio, cinemática, transmissão de calor, média e razão ganharam.
- O tempo vai para onde o aluno erra? Física (28%), Filosofia (35%), combinatória e probabilidade (22%), célula e moléculas (23%), cálculo químico (26%). São os pontos com mais espaço para ganho.
- Os simulados imitam a prova de hoje? Matemática ficou mais textual, Geografia mais brasileira e jornalística, História apoiada em historiografia, Literatura mais contemporânea. Um simulado com perfil de 2012 treina para uma prova que não existe mais.
Para o novo ciclo da prova, reunimos o que muda em Novo ENEM 2026–2028: o guia completo para coordenadores.
Para o estudante do ENEM 2026, a leitura é direta: priorize o que cai muito e derruba muito, e treine com questões reais separadas por conteúdo. O Banco ENEM da X-TRI foi feito para isso. Depois da prova, o Simulador SISU ajuda a transformar a nota em escolha de curso.
Perguntas frequentes sobre os microdados do ENEM
O que são os microdados do ENEM?
São as bases públicas do INEP com os dados de cada participante: respostas marcadas, gabarito, notas por área, notas da redação e questionário socioeconômico, sem identificação pessoal. Estão no portal de microdados do INEP e no dados.gov.br.
Quais são as questões mais erradas do ENEM?
Entre 2021 e 2025, 117 questões tiveram menos de 20% de acerto. A mais errada foi uma questão de Linguagens de 2021, com texto de Fernando Sabino (Modernismo, geração de 45): 6,8% de acerto. Depois vêm história da arte (2022, 7,1%) e a vista superior da patrulha do vigilante em Matemática (2023, 8,4%). Natureza concentra 50 das 117.
Qual é a disciplina mais difícil da prova do ENEM?
Pela taxa de acerto em 2021–2025, Física (27,8%), seguida de Química (29,8%) e Matemática (30,6%). Em Humanas, Filosofia (35,4%). Em Linguagens, Literatura, que ficou abaixo do resto da área em todos os cinco anos.
O que mais caiu no ENEM nos últimos anos?
Em 2021–2025, por disciplina: em Matemática, porcentagem (14 questões), leitura de tabelas e média aritmética (12 cada); em Física, circuitos elétricos (12); em Química, estequiometria (8); em Biologia, metabolismo energético (6); em História, Idade Média (7); em Sociologia, patrimônio e memória (12); em Linguagens, variação linguística (22) e, dentro de Literatura, autores contemporâneos (15). O levantamento completo está em o que mais cai no ENEM.
A matéria mais errada é a que mais tira nota?
Não necessariamente. Na TRI, errar uma questão fácil pesa mais que errar uma difícil, porque quebra a coerência do padrão de respostas. Por isso vale olhar acerto real e parâmetros juntos, como explicamos no guia do Simulador TRI.
Dá para ligar as respostas ao perfil do aluno em 2024 e 2025?
Não no nível individual. A partir de 2024 o INEP separou participantes e resultados em bases que não se cruzam aluno a aluno. As análises desses anos são agregadas por escola, município ou estado.
Metodologia
Respostas e gabaritos: microdados oficiais do ENEM (INEP), 2021 a 2025, todos os participantes presentes em cada prova. São 2,43 bilhões de respostas em 906 questões. Classificação: 3.123 questões de 2009 a 2025, classificadas pela X-TRI por disciplina e subtópico, com curadoria manual e um segundo eixo por disciplina (lei ou cientista, substância, organismo, tema transversal, recorte espacial, filósofo, sujeito social, escola e autor literário, cenário e suporte). Subtópico é o que a questão exige resolver. Itens anulados foram excluídos. Numeração pelo caderno azul. Faixas de nota calculadas pela nota da própria área. Subtópicos com poucas questões em 2021–2025 têm acerto indicativo.
Quer esse diagnóstico aplicado aos alunos da sua escola? Fale com a X-TRI pelo formulário de contato ou conheça a Mentoria ENEM.