ENEM 08 abr 2026 • 32 min de leitura

Microdados e o ENEM 2024

Alexandre Emerson
Equipe XTRI
micro dados enem XTRI matematica

Table of Contents

1. Resumo Comparativo nos Microdados do ENEM 2024

O presente relatório analisa o desempenho de aproximadamente 199,6 mil participantes nos microdados do ENEM 2024 nas quatro áreas de conhecimento avaliadas pelo exame. A amostra é praticamente homogênea em termos de contingente 199.585 participantes em Linguagens (LC) e Ciências Humanas (CH) e 199.568 em Ciências da Natureza (CN) e Matemática (MT), o que assegura alta comparabilidade entre as áreas.

Os dados revelam quatro perfis distributivos marcadamente distintos, evidenciando que a dificuldade percebida, a dispersão de proficiência e as desigualdades internas variam substancialmente conforme o domínio de conhecimento.

Em termos de mediana, a hierarquia observada é: Linguagens (535,8) > Ciências Humanas (523,2) > Matemática (504,1) > Ciências da Natureza (491,7). Linguagens apresenta a mediana mais elevada, indicando que metade dos participantes alcançou ao menos 535,8 pontos nessa área, o que a configura como o domínio de menor dificuldade relativa para o conjunto dos candidatos.

Ciências da Natureza, com mediana de 491,7, posiciona-se no extremo oposto, constituindo a área em que o desempenho típico é mais baixo.

Já em termos de média aritmética, a ordenação se altera significativamente: Matemática (530,4) > Linguagens (529,9) > Ciências Humanas (518,4) > Ciências da Natureza (496,4). A divergência entre média e mediana constitui, por si só, um indicador analítico de primeira importância, conforme será detalhado adiante.

dispersão, mensurada pelo intervalo interquartílico (IQR), varia de forma dramática entre as áreas. Matemática apresenta o maior IQR (182,1 pontos), mais que o dobro do IQR de Linguagens (84,0 pontos). Ciências Humanas (124,9) e Ciências da Natureza (119,1) ocupam posições intermediárias.

Essa discrepância indica que Matemática é, de longe, a área com maior heterogeneidade de desempenho: a diferença entre o participante do percentil 25 (433,5) e o do percentil 75 (615,6) equivale a praticamente a distância entre o mínimo e a mediana em Linguagens.

Em contrapartida, Linguagens exibe o perfil mais compacto, sugerindo que a prova opera com forte poder de concentração dos escores na faixa central.

amplitude total, diferença entre o escore máximo e o mínimo, reforça o diagnóstico de assimetria em Matemática: com mínimo de 371,0 e máximo de 961,9, a amplitude total é de 590,9 pontos, muito superior à de Linguagens (497,0), Ciências Humanas (535,9) e Ciências da Natureza (525,1).

Esse dado indica que a escala TRI de Matemática estica-se significativamente no extremo superior, premiando de forma mais acentuada os candidatos de alto desempenho. Consequentemente, é em Matemática que residem as maiores desigualdades de proficiência, e é nessa área que as políticas de equidade educacional encontram seu maior desafio estrutural.

Em síntese, o ENEM 2024 revela um quadro no qual Linguagens funciona como área equalizadora, com desempenho típico mais elevado e menor dispersão , enquanto Matemática opera como área diferenciadora, com dispersão extrema e assimetria positiva pronunciada.

Ciências Humanas e Ciências da Natureza situam-se entre esses dois polos, cada uma com suas particularidades distributivas. Esse padrão tem implicações diretas para a composição da nota final dos candidatos e, por extensão, para a seletividade dos cursos que ponderam diferencialmente cada área.

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2. Análise por Área de Conhecimento nos microdados do ENEM 2024

2.1 LC — Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

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Distribuição de Notas nos microdados do enem

Linguagens é a área com o perfil distributivo mais concentrado do ENEM 2024. A média (529,9) situa-se ligeiramente abaixo da mediana (535,8), configurando uma assimetria negativa leve, isto é, a cauda esquerda da distribuição é ligeiramente mais longa, com um contingente modesto de participantes puxando a média para baixo.

A diferença média–mediana é de apenas 5,9 pontos, a menor entre todas as áreas, o que indica que valores extremos exercem pouca influência sobre a tendência central.

IQR de 84,0 pontos (P25 = 491,1; P75 = 575,1) é o mais estreito entre as quatro áreas, revelando que 50% dos participantes concentram-se em uma faixa de menos de 85 pontos. A amplitude total é de 497,0 pontos (mínimo = 298,8; máximo = 795,8), a menor do exame.

Esses indicadores, conjugados, demonstram que a prova de Linguagens exerce forte efeito homogeneizador sobre os escores, dificultando a diferenciação entre candidatos de proficiência intermediária.

Tabela de Dificuldades — Progressão TRI

A progressão TRI por faixas de acertos revela uma curva relativamente linear e bem comportada. Os 2 participantes com 0 acertos obtiveram TRI mediana de 298,8 pontos. A mediana TRI evolui de 360,7 (6 acertos) para 440,6 (12 acertos), um salto de 79,9 pontos, e depois para 503,1 (18 acertos), ganho de 62,5 pontos.

A faixa de 18 a 24 acertos apresenta a maior concentração de frequência (8.228 e 8.880 participantes respectivamente), sugerindo que o nível mediano de dificuldade da prova situa-se nesse intervalo.

A partir de 24 acertos, a progressão TRI torna-se mais moderada: 546,5 → 587,0 → 633,8 → 709,0 → 795,8, com incrementos decrescentes entre as faixas adjacentes e crescentes apenas no extremo superior (709,0 a 795,8, delta de 86,8 pontos para apenas 2 participantes com 45 acertos).

Nota-se, portanto, que a prova apresenta forte poder discriminativo nas faixas extremas, mas menor capacidade de diferenciação na faixa central, o que é consistente com o IQR estreito já identificado.

intervalo TRI dentro de cada faixa de acertos também é notável. Na faixa de 6 acertos, a amplitude intra-faixa é de 124,2 pontos (302,4 a 426,6), evidenciando que o padrão de respostas, e não apenas o total de acertos exerce forte influência na nota TRI. Essa amplitude diminui progressivamente nas faixas superiores (ex.: 42 acertos: 666,5 a 747,8, amplitude de 81,3), o que é esperado no modelo TRI:

candidatos de alta proficiência tendem a acertar itens de forma mais consistente.

Top 10 Estados por Mediana

O ranking estadual de Linguagens é liderado pelo Distrito Federal (mediana 550,5), seguido por São Paulo (549,2) e Santa Catarina (548,7). Os três primeiros estão separados por apenas 1,8 ponto, configurando um grupo de topo virtualmente empatado.

gap entre o 1.º (DF, 550,5) e o 10.º colocado (RN, 526,7) é de 23,8 pontos, relativamente modesto, o que é consistente com o caráter compacto da distribuição geral de Linguagens.

A predominância das regiões Sul e Sudeste é evidente: 7 dos 10 estados pertencem a essas regiões (SP, SC, RS, RJ, PR, ES, MG). O Distrito Federal e Mato Grosso do Sul representam o Centro-Oeste, enquanto o Rio Grande do Norte é o único representante do Nordeste no top 10.

A ausência de qualquer estado da região Norte é significativa.

N dos estados varia de 946 (MS) a 14.557 (SP), o que deve ser levado em conta na interpretação: estimativas estaduais com N menor carregam maior incerteza amostral.

Top 10 Escolas por Mediana

O ranking escolar de Linguagens é integralmente dominado pela rede privada, todas as 10 escolas são particulares. A escola líder é de Belo Horizonte/MG (código 31351725, mediana 663,8), seguida por Fortaleza/CE (661,3) e Recife/PE (657,6).

Geograficamente, há forte concentração em capitais: Belo Horizonte (2 escolas), Recife (3), São Carlos, São Luís, Campinas, Natal e uma segunda unidade de BH.

Os N são, em geral, bastante reduzidos, variando de 5 a 13 participantes, o que impõe cautela: medianas calculadas sobre amostras tão pequenas são altamente sensíveis a valores individuais. A escola com maior N no top 10 é a de Recife/PE (código 26137631, N = 13), cuja mediana de 657,6 confere-lhe maior robustez estatística.

2.2 CH — Ciências Humanas e suas Tecnologias

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Distribuição de Notas

Ciências Humanas apresenta média de 518,4 e mediana de 523,2, resultando em uma assimetria negativa moderada(diferença de –4,8 pontos). Essa configuração sugere que uma parcela dos participantes com escores mais baixos exerce leve tração descendente sobre a média.

IQR de 124,9 pontos (P25 = 455,7; P75 = 580,6) é substancialmente maior que o de Linguagens (+48,7%), posicionando Ciências Humanas como uma área de dispersão intermediária-alta.

amplitude total é de 535,9 pontos (283,8 a 819,7).

Comparada a Linguagens, Ciências Humanas apresenta mediana 12,6 pontos mais baixa e IQR quase 41 pontos mais amplo, indicando que o desempenho típico é inferior e a heterogeneidade é consideravelmente maior.

O valor mínimo (283,8) é o mais baixo entre todas as quatro áreas, sugerindo que a prova de CH permite escores TRI particularmente baixos para candidatos com padrões de resposta desfavoráveis.

Tabela de Dificuldades — Progressão TRI

A progressão TRI em CH exibe um perfil semelhante ao de LC, porém com maiores incrementos na faixa alta. A mediana TRI evolui de 283,8 (0 acertos, N = 20) para 348,2 (6 acertos), 437,3 (12), 516,1 (18), 568,6 (24), 615,7 (30), 671,0 (36), 756,0(42) e 819,7 (45 acertos, N = 8).

O incremento mais expressivo ocorre entre 0 e 12 acertos (153,5 pontos de ganho mediano), correspondendo à faixa de maior frequência acumulada (10.819 participantes em 0–12 acertos). A transição de 36 para 42 acertos gera um salto de 85,0 pontos (671,0 → 756,0), o maior entre faixas adjacentes, indicando que os itens de alta dificuldade geram forte diferenciação entre candidatos de elite.

Os 8 participantes que alcançaram 45 acertos obtiveram todos o escore de 819,7, demonstrando que a proficiência máxima em CH (819,7) é inferior à de CN (867,2) e MT (961,9), porém superior à de LC (795,8).

A amplitude intra-faixa é significativa nas faixas intermediárias: em 12 acertos, a variação é de 185,4 pontos (305,1 a 490,5), a mais ampla de qualquer faixa em qualquer área considerando esse nível de acertos.

Isso reforça o alto poder do modelo TRI de CH em distinguir padrões de resposta qualitativamente distintos mesmo entre candidatos com o mesmo total de acertos.

Top 10 Estados por Mediana nos microdados do enem 2024

O DF lidera novamente com mediana de 539,3, seguido de SC (538,8) e SP (535,9). A composição é quase idêntica à de Linguagens, com 7 estados do Sul/Sudeste, DF, MS e RN. Notavelmente, Espírito Santo (531,4) sobe uma posição em relação a LC, superando Rio de Janeiro, e Paraná (523,3) cai para 8.º, abaixo de sua posição em LC (6.º).

O gap entre o 1.º e o 10.º colocado é de 27,3 pontos, ligeiramente maior que em LC (23,8), consistente com o IQR mais amplo de CH. A ordenação dos estados é, contudo, notavelmente estável entre LC e CH, sugerindo que os determinantes do desempenho nessas duas áreas da grande área de humanidades são fortemente correlacionados.

Top 10 Escolas por Mediana

CH apresenta a primeira e única aparição de uma escola federal no top 10: a escola 31128074 de Viçosa/MG (Federal, N = 10, mediana 701,7), ocupando a 4.ª posição. Essa instituição, vinculada a uma universidade federal, demonstra que o modelo de escola pública federal é competitivo com as melhores escolas privadas em Ciências Humanas.

A escola líder é de Belo Horizonte/MG (código 31004812, mediana 708,0), a mesma instituição que lidera em CN. A escola de Cascavel/PR (código 41071859, mediana 706,2) é a única aparição paranaense no top 10 de qualquer área neste relatório. A escola de Belo Horizonte com código 31350664 aparece com N = 25 e mediana de 698,1, sendo a escola com maior N entre todas as top 10 de CH, o que confere a essa estimativa elevada confiabilidade. A rede privada ainda domina (9 de 10 escolas), mas a presença federal é um dado qualitativamente relevante.

2.3 CN — Ciências da Natureza e suas Tecnologias

microdados do enem 2024

Distribuição de Notas

Ciências da Natureza registra a menor mediana entre todas as áreas (491,7) e a menor média (496,4), configurando-se como o domínio de maior dificuldade relativa para o participante típico do ENEM 2024. Distintamente das áreas anteriores, a média (496,4) é superior à mediana (491,7), gerando uma assimetria positiva (diferença de +4,7 pontos). Essa assimetria indica que a cauda direita da distribuição, isto é, o grupo de alto desempenho puxa a média para cima, enquanto a maioria dos participantes concentra-se abaixo da média.

IQR de 119,1 pontos (P25 = 433,6; P75 = 552,7) é ligeiramente inferior ao de CH (124,9), mas 42% maior que o de LC (84,0). A amplitude total é de 525,1 pontos (342,1 a 867,2). O valor mínimo (342,1) é o mais elevado entre todas as áreas, sugerindo que a prova de CN impõe um “piso” TRI mais alto mesmo para os piores desempenhos.

O fato de a menor faixa de acertos registrada ser 2 (não 0) reforça esse aspecto não há registros de participantes com 0 acertos em CN na amostra.

Tabela de Dificuldades — Progressão TRI nos microdados do enem 2024

A progressão TRI em CN revela um perfil de dificuldade acentuada e frequências fortemente concentradas nas faixas baixas. Na faixa de 8 acertos, há 8.807 participantes, o maior contingente em uma faixa individual de CN com mediana TRI de 398,4. Na faixa de 14 acertos, o pico absoluto, há 15.735 participantes com mediana de 498,2.

Juntas, essas duas faixas concentram mais de 24.500 participantes, evidenciando que a vasta maioria dos candidatos acerta entre 8 e 14 dos 45 itens, um desempenho que corresponde a 18%–31% dos itens da prova.

A partir de 20 acertos, as frequências caem drasticamente: 5.717 (20 acertos), 1.889 (26), 621 (32), 143 (38), 3 (44) e 2 (45). Essa distribuição fortemente assimétrica à esquerda explica por que a mediana é inferior à média: há poucos participantes de alto desempenho, mas seus escores muito elevados (máximo de 867,2) puxam a média para cima.

O salto TRI de 14 para 20 acertos é de 81,6 pontos (498,2 → 579,8), o maior incremento entre faixas adjacentes em CN, constituindo o principal ponto de inflexão da escala.

Esse padrão sugere que há uma faixa de dificuldade dos itens concentrada entre 14 e 20 acertos que funciona como “filtro” de proficiência: candidatos que superam esse patamar acessam um nível de desempenho substancialmente diferente.

Top 10 Estados por Mediana

Santa Catarina lidera CN com mediana de 517,2, a única área em que SC ocupa a 1.ª posição isolada (em CH, era 2.º). O DF aparece em 2.º (510,7) e SP em 3.º (505,6). O top 10 inclui uma novidade: Roraima (RR, mediana 490,6, N = 224), único estado da região Norte a figurar entre os dez primeiros em qualquer área deste relatório. Contudo, seu N reduzido (224) impõe cautela interpretativa.

O gap entre o 1.º (SC, 517,2) e o 10.º (MS, 490,1) é de 27,1 pontos, semelhante ao de CH. A presença de ES (5.º), PR (6.º) e MG (7.º) confirma o padrão de dominância do eixo Sul-Sudeste.

Top 10 Escolas por Mediana

O ranking de CN é liderado pela escola 31004812 de Belo Horizonte/MG (Privada, N = 9, mediana 691,3), seguida pela escola federal 31128074 de Viçosa/MG (Federal, N = 10, mediana 683,5). Essa é a segunda aparição da escola federal de Viçosa em um top 10, evidenciando desempenho consistente em múltiplas áreas.

A escola 31350664 de Belo Horizonte/MG aparece com N = 25 e mediana de 675,9, sendo a escola com maior amostra entre as top 10 de CN. A escola 53013085 de Brasília/DF (Privada, N = 13, mediana 682,2) é a única representante do Centro-Oeste, e aparecerá novamente no top 10 de Matemática. A rede privada domina (9 de 10), com a escola federal de Viçosa como única exceção pública.

2.4 MT — Matemática e suas Tecnologias

micro dados enem XTRI matematica
micro dados enem 2024 XTRI matematica

Distribuição de Notas

Matemática é, inegavelmente, a área mais peculiar e analiticamente relevante do ENEM 2024. Sua média (530,4) é 26,3 pontos superior à mediana (504,1), a maior discrepância entre média e mediana dentre todas as áreas, configurando uma assimetria positiva pronunciada. Isso indica que uma minoria de participantes com escores muito elevados desloca a média para cima, enquanto mais da metade dos candidatos obtém escores abaixo de 504,1, portanto, abaixo da média geral.

IQR de 182,1 pontos (P25 = 433,5; P75 = 615,6) é o mais amplo de todas as áreas, 2,17 vezes o IQR de Linguagens, 1,46 vezes o de CH e 1,53 vezes o de CN. A amplitude total de 590,9 pontos (371,0 a 961,9) é igualmente a maior, sendo o escore máximo de MT (961,9) o único a ultrapassar 900 pontos em qualquer área do exame.

Esses números revelam que Matemática funciona como o grande eixo de diferenciação do ENEM: é nessa prova que se produzem as maiores distâncias entre os candidatos e, consequentemente, onde a nota individual exerce maior impacto na classificação final.

Tabela de Dificuldades — Progressão TRI

A progressão TRI de Matemática é a mais extrema entre todas as áreas. Os 19 participantes com 0 acertos obtêm TRI de 371,0 (note-se que esse valor mínimo é superior ao mínimo de LC [298,8] e CH [283,8]). A sequência mediana é: 410,1 (6 acertos) → 513,3 (12) → 647,5 (18) → 708,9 (24) → 763,5 (30) → 820,7 (36) → 900,2 (42) → 961,9 (45).

O salto mais expressivo ocorre entre 12 e 18 acertos: 134,2 pontos (513,3 → 647,5), um incremento sem paralelo em qualquer outra área. Esse intervalo funciona como o grande divisor de águas da prova de Matemática: os 15.005 participantes com 12 acertos obtêm mediana de 513,3, enquanto os 5.019 com 18 acertos alcançam 647,5, uma distância que, em Linguagens, equivale a quase dois quartis inteiros.

A concentração de frequências nas faixas baixas é dramática: 9.105 participantes acertam 6 itens e 15.005 acertam 12, totalizando 24.110 candidatos (≈12% da amostra) nessas duas faixas. Apenas 39 participantes atingem 45 acertos (961,9 pontos), o que demonstra que o topo da escala de MT é acessível a uma fração mínima da população avaliada.

amplitude intra-faixa é também excepcional em MT. Na faixa de 12 acertos, a variação é de 259,3 pontos (380,4 a 639,7), a maior amplitude intra-faixa de qualquer combinação acertos × área em todo o relatório.

Isso significa que dois candidatos com o mesmo número de acertos em Matemática podem diferir em mais de 259 pontos na escala TRI, dependendo de quais itens acertaram, evidência contundente do papel discriminativo do modelo TRI.

Top 10 Estados por Mediana nos microdados do enem

São Paulo lidera Matemática com mediana de 538,0, a única área em que SP ocupa a 1.ª posição. ES é 2.º (535,0), SC 3.º (533,5). Um dado notável: em MT, o DF cai para 7.º lugar (mediana 520,9), apesar de liderar LC e CH e ser 2.º em CN. Essa queda sugere que o perfil dos participantes do DF, provavelmente com forte componente de filhos de servidores públicos de alta escolaridade, favorece mais as áreas de humanidades e linguagens do que Matemática.

gap entre o 1.º (SP, 538,0) e o 10.º (RN, 495,2) é de 42,8 pontos, o maior entre todas as áreas, coerente com o IQR amplo de MT. Todos os estados do top 10 são do Sul, Sudeste ou Centro-Oeste (DF, MS), com o RN sendo a exceção nordestina. A diferença entre média e mediana é particularmente grande nos estados de topo: SP tem média de 549,6 e mediana de 538,0 (delta de +11,6), enquanto DF tem média de 545,9 e mediana de 520,9 (delta de +25,0), indicando que no DF há uma elite matemática que puxa a média para cima, mas o participante típico tem desempenho mais modesto.

Top 10 Escolas por Mediana

O ranking de MT é o que apresenta os escores mais elevados entre todas as áreas: a escola líder, 53013085 de Brasília/DF (Privada, N = 13, mediana 839,2), atinge um patamar que supera o máximo absoluto de LC (795,8) e está próximo ao máximo de CH (819,7). A escola 26137631 de Recife/PE (Privada, N = 13, mediana 837,9) é a 2.ª colocada, e sua aparição simultânea no top 10 de LC (3.ª, mediana 657,6) a qualifica como uma das instituições com desempenho multiárea mais consistente.

A escola 31350664 de Belo Horizonte/MG aparece com N = 25 e mediana de 812,5, sendo, mais uma vez, a escola com maior amostra entre as top 10, o que confere alta robustez à sua estimativa. A rede privada é absolutamente dominante: todas as 10 escolas são privadas, sem qualquer representação pública. Geograficamente, há diversificação: Brasília, Recife (2), Teresina, Belo Horizonte, Rio Claro, Niterói, São José dos Campos, Natal e Valinhos.

3. Análise Comparativa entre Áreas

3.1 Hierarquia de Dificuldade

A hierarquia de dificuldade por mediana: LC > CH > MT > CN apresenta uma configuração parcialmente esperada. Tradicionalmente, Ciências da Natureza e Matemática são percebidas como as áreas mais difíceis do ENEM, e os dados confirmam essa percepção para CN (mediana 491,7, a mais baixa). Entretanto, Matemática apresenta mediana (504,1) superior à de CN, apesar de sua reputação de maior dificuldade.

Isso é explicado pela assimetria: a mediana de MT é inflada por uma construção da prova que permite escores muito altos para acertos elevados, o que eleva a metade superior da distribuição, mas não impede que o candidato típico tenha desempenho relativamente baixo.

3.2 Dispersão e Desigualdade

ordenação das áreas por IQR  MT (182,1) > CH (124,9) > CN (119,1) > LC (84,0) é inequívoca.

Matemática gera mais que o dobro da dispersão de Linguagens. Essa discrepância tem implicações diretas para a seletividade do ENEM: em cursos que ponderam fortemente Matemática (engenharias, por exemplo), a variância interindividual é muito maior, aumentando o poder de discriminação da nota. Em cursos que ponderam Linguagens, a capacidade de diferenciação via nota é mais limitada.

3.3 Estados com Presença Transversal

Seis estados aparecem no top 10 de todas as quatro áreasDF, SP, SC, RS, ES e MG. Esse núcleo de estados com desempenho consistentemente elevado é composto exclusivamente por unidades federativas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste (DF).

A presença universal do DF é particularmente notável, considerando seu N relativamente modesto (1.376): mesmo com um contingente menor, o DF mantém-se entre os 10 melhores em todas as áreas.

MS e RN aparecem no top 10 de três áreas (LC, CH e MT para RN; LC, CH e CN para MS). Nenhum estado aparece no top 10 de uma única área, sugerindo que o desempenho estadual é relativamente coerente entre domínios.

Roraima destaca-se como caso singular: aparece exclusivamente no top 10 de CN (9.º lugar, mediana 490,6), única representação da região Norte em qualquer ranking estadual deste relatório.

Rio de Janeiro aparece em 3 das 4 áreas (LC, CH e CN), mas não em MT, sugerindo fragilidade relativa no domínio matemático.

Paraná também aparece em 3 de 4 áreas (LC, CH e CN), ficando fora do top 10 de MT, apesar de ter a 8.ª maior amostra estadual.

3.4 Escolas com Presença Transversal

A análise cruzada das 40 posições do top 10 (10 por área × 4 áreas) revela a existência de escolas de excelência multidomínio:

  • 31004812 (Belo Horizonte/MG, Privada): aparece no top 10 de CH (1.ª, 708,0), CN (1.ª, 691,3) e LC (7.ª, 650,2) — três áreas. Destaca-se como a escola com melhor desempenho agregado, ocupando a liderança simultânea em duas áreas.
  • 31350664 (Belo Horizonte/MG, Privada, N = 25): aparece no top 10 de CH (7.ª, 698,1), CN (4.ª, 675,9) e MT (5.ª, 812,5) — três áreas. Com N = 25, é a escola mais representativa estatisticamente dentre todas as recorrentes.
  • 26137631 (Recife/PE, Privada, N = 13): aparece no top 10 de LC (3.ª, 657,6), CH (5.ª, 700,2) e MT (2.ª, 837,9) — três áreas. Único caso de escola nordestina com presença tripla.
  • 31128074 (Viçosa/MG, Federal, N = 10): aparece no top 10 de CH (4.ª, 701,7) e CN (2.ª, 683,5) — duas áreas. Única escola pública com presença múltipla.
  • 26189569 (Recife/PE, Privada): aparece em LC (4.ª, 656,3) e CH (8.ª, 697,7) — duas áreas.
  • 21009902 (São Luís/MA, Privada): aparece em LC (6.ª, 652,1) e CH (10.ª, 694,3) — duas áreas. Única escola maranhense no relatório.
  • 29485541 (Salvador/BA, Privada): aparece em CH (9.ª, 694,6) e CN (9.ª, 666,8) — duas áreas.
  • 35449003 (Ribeirão Preto/SP, Privada): aparece em CH (6.ª, 700,0) e CN (5.ª, 675,2) — duas áreas.
  • 53013085 (Brasília/DF, Privada, N = 13): aparece em CN (3.ª, 682,2) e MT (1.ª, 839,2) — duas áreas. Lidera Matemática com a mediana escolar mais alta de todo o relatório.
  • 26187353 (Recife/PE, Privada): aparece em LC (10.ª, 643,8) e CN (6.ª, 674,7) — duas áreas.
  • 24069191 (Natal/RN, Privada): aparece em LC (9.ª, 646,6) e MT (9.ª, 806,4) — duas áreas.

Essa concentração de presença multiárea em um número restrito de escolas indica que a excelência educacional tende a ser multidimensional: as escolas que se destacam em uma área geralmente se destacam em várias.

4. Padrões Geográficos Transversais

4.1 Estados com Desempenho Consistentemente Alto

O cruzamento dos quatro rankings estaduais permite classificar os estados em categorias de consistência:

Presença em todas as 4 áreas: DF, SP, SC, RS, ES, MG. Esse grupo de seis UFs constitui o “núcleo de excelência” do ENEM 2024. Todos pertencem ao Sul (SC, RS), Sudeste (SP, ES, MG) ou Centro-Oeste (DF).

Presença em 3 áreas: RJ (LC, CH, CN), PR (LC, CH, CN), MS (LC, CH, CN), RN (LC, CH, MT). RJ e PR são excluídos do top 10 de MT; MS e RN são excluídos do top 10 de CN e MT, respectivamente.

Presença em 1 área: RR (CN). Caso isolado, com N muito reduzido (224).

4.2 Padrão Regional

A dominância do eixo Sul-Sudeste é inequívoca e transversal: considerando as 40 posições totais (10 estados × 4 áreas), essas duas regiões ocupam 28 posições (70%). O Centro-Oeste contribui com 8 posições (20%, exclusivamente via DF e MS). O Nordeste contribui com 3 posições (7,5%, todas via RN). O Norte contribui com 1 posição (2,5%, via RR).

Essa distribuição reflete e amplifica as desigualdades socioeconômicas regionais do Brasil. A total ausência de estados como BA, PE, CE, PA e AM dos rankings estaduais (apesar de suas populações significativas) é um indicador de desigualdade educacional estrutural.

4.3 Municípios com Destaque Multiárea nos microdados do enem

No nível municipal (via escolas do top 10), os destaques são:

  • Belo Horizonte/MG: 2 escolas distintas no top 10 de LC; 3 escolas no top 10 de CH; 2 escolas no top 10 de CN; 1 escola no top 10 de MT. Total: 8 aparições. É o município com maior presença absoluta nos rankings de excelência escolar.
  • Recife/PE: 3 escolas no top 10 de LC; 2 em CH; 1 em CN; 2 em MT. Total: 8 aparições. Equipara-se a BH em frequência e demonstra que o Nordeste possui ilhas de excelência escolar, ainda que restritas à rede privada.
  • São Paulo e região metropolitana: presença via escolas de São Paulo, Campinas e São Carlos (LC); Ribeirão Preto (CH, CN); Rio Claro, São José dos Campos e Valinhos (MT). Total: 7 aparições em municípios paulistas distintos, revelando uma dispersão geográfica da excelência pelo interior do estado.
  • Brasília/DF: 1 aparição em CN (3.ª) e 1 em MT (1.ª). Total: 2 aparições, ambas significativas pela posição elevada.

5. Perfil das Escolas de Excelência

5.1 Dominância da Rede Privada

Das 40 posições no top 10 escolar (10 posições × 4 áreas), 38 são ocupadas por escolas da rede privada (95%) e 2 por escolas da rede federal (5%). Nenhuma escola estadual ou municipal figura em qualquer ranking de excelência. A rede federal é representada exclusivamente pela escola 31128074 de Viçosa/MG, que aparece em CH (4.ª) e CN (2.ª).

Essa distribuição indica que, no contexto do ENEM 2024, a excelência acadêmica mensurada por mediana de proficiência TRI é quase exclusivamente associada à rede privada, com a rede federal constituindo a única exceção pública. A ausência completa de escolas estaduais e municipais — que respondem pela maioria das matrículas do ensino médio brasileiro — é um dado estrutural de alta relevância para políticas educacionais.

5.2 A Exceção Federal: Viçosa/MG

A escola federal de Viçosa (código 31128074, N = 10) merece destaque especial por ser a única escola pública presente nos rankings de excelência, e por aparecer em duas áreas distintas: CH (mediana 701,7, 4.ª posição) e CN (mediana 683,5, 2.ª posição). Esses escores a posicionam acima de escolas privadas de capitais como São Paulo, Recife e Salvador. Com N = 10, sua amostra é modesta mas não desprezível, e o fato de manter mediana elevada em duas áreas diferentes confere-lhe consistência. Trata-se, provavelmente, de uma escola vinculada à Universidade Federal de Viçosa, modelo institucional que combina seletividade de ingresso, corpo docente qualificado e infraestrutura acadêmica, características que a distinguem da rede estadual convencional.

5.3 Escolas de Alta Representatividade Estatística

Dentre todas as escolas do top 10, aquelas com N ≥ 10 merecem atenção prioritária pela maior confiabilidade de suas estimativas:

CódigoMunicípioUFRedeNÁreas no Top 10Medianas
31350664Belo HorizonteMGPrivada25CH (7.ª), CN (4.ª), MT (5.ª)698,1 / 675,9 / 812,5
26137631RecifePEPrivada13LC (3.ª), CH (5.ª), MT (2.ª)657,6 / 700,2 / 837,9
53013085BrasíliaDFPrivada13CN (3.ª), MT (1.ª)682,2 / 839,2
22025740TeresinaPIPrivada12MT (4.ª)816,5
33057206NiteróiRJPrivada11MT (7.ª)807,2
31128074ViçosaMGFederal10CH (4.ª), CN (2.ª)701,7 / 683,5

A escola 31350664 de Belo Horizonte (N = 25) é inequivocamente a mais robusta do ponto de vista estatístico, com presença em três áreas e N que minimiza o viés amostral. A escola 26137631 de Recife (N = 13) é a segunda mais robusta, com presença em três áreas e a notável combinação de 2.ª posição em MT (837,9) e 3.ª em LC (657,6).

5.4 Distribuição Geográfica da Excelência Escolar

A contagem de escolas distintas (identificadas por código) que aparecem em ao menos um top 10 é de 27 escolas únicasdistribuídas por 16 municípios em 12 unidades federativas. A distribuição por região é:

  • Sudeste: MG (6 aparições de escolas distintas), SP (5), RJ (1), ES (0) — total: 12 escolas
  • Nordeste: PE (4), CE (1), MA (1), BA (1), RN (1), PI (1) — total: 9 escolas
  • Centro-Oeste: DF (1) — total: 1 escola
  • Sul: PR (2), SC (0), RS (0) — total: 2 escola
  • Norte: 0 escolas

O Sudeste lidera com 12 escolas, mas o dado mais significativo é que o Nordeste contribui com 9 escolas de excelência, um contraponto relevante à ausência nordestina dos rankings estaduais. Essa aparente contradição explica-se pelo fato de que a excelência escolar no Nordeste é pontual e restrita a escolas privadas de alto padrão em capitais (Recife, Fortaleza, Salvador, São Luís, Natal, Teresina), insuficientes para elevar a mediana estadual.

6. Implicações Pedagógicas

Insight 1: Matemática como amplificador de desigualdades e eixo de seleção

Com IQR de 182,1 pontos, 2,17 vezes o de Linguagens, Matemática é a área onde o desempenho mais varia entre os participantes. A amplitude intra-faixa de 259,3 pontos para candidatos com 12 acertos demonstra que mesmo o “padrão de acerto” importa crucialmente, não apenas o total.

Essa configuração implica que Matemática é, na prática, o principal eixo de seleção do ENEM: em processos seletivos que ponderam as áreas igualmente, é em MT que se produzem as maiores diferenças absolutas de pontuação entre candidatos.

Investimentos focalizados no letramento matemático teriam, portanto, o maior retorno marginal em termos de posição competitiva.

Insight 2: Ciências da Natureza apresenta o maior desafio de ensino-aprendizagem

A concentração de 24.542 participantes (aproximadamente 12,3% da amostra total) nas faixas de 8 e 14 acertos em CN, correspondendo a 18%–31% dos itens, indica que a maioria dos candidatos opera com proficiência muito limitada nessa área.

A mediana de 491,7 é a mais baixa entre todas as áreas.

Diferentemente de MT, onde a dispersão cria uma elite de alto desempenho que puxa a média, em CN o perfil dominante é de baixo desempenho generalizado. Esse padrão sugere deficiências estruturais no ensino de Ciências da Natureza no nível médio brasileiro, possivelmente relacionadas a fragilidades na formação docente em Física, Química e Biologia e à insuficiência de infraestrutura laboratorial.

Insight 3: Linguagens homogeneíza; isso tem consequências competitivas

O IQR de 84,0 pontos e a amplitude total de 497,0 em LC indicam que essa área tem baixo poder discriminativo na faixa central. Para cursos que ponderam Linguagens com peso elevado, a capacidade de diferenciação entre candidatos medianos é limitada: 50% da população situa-se em uma faixa de menos de 85 pontos.

Isso sugere que, em seleções baseadas no ENEM, a nota de Linguagens funciona mais como “componente estabilizador” do que como “diferenciador”, e que estratégias de preparação voltadas exclusivamente para LC têm retorno marginal decrescente para candidatos já situados na faixa central.

Insight 4: Ilhas de excelência no Nordeste não se traduzem em elevação sistêmica

O paradoxo entre a forte presença de escolas nordestinas nos rankings de excelência (9 escolas em PE, CE, MA, BA, RN, PI) e a ausência quase total de estados nordestinos nos rankings estaduais (apenas RN aparece, em 3 de 4 áreas) revela que a excelência educacional no Nordeste é pontual e concentrada em instituições privadas de alto custo, sem efeito de transbordamento para o sistema público.

A escola de São Luís/MA (código 21009902, Privada), por exemplo, aparece no top 10 de LC e CH, mas o Maranhão não figura em nenhum ranking estadual.

Esse padrão indica que políticas de melhoria educacional no Nordeste precisam transcender o modelo de escolas de elite e endereçar os determinantes sistêmicos do baixo desempenho: formação docente, currículo, condições socioeconômicas dos estudantes e infraestrutura escolar.

Insight 5: A escola federal de Viçosa como modelo replicável

A presença da escola 31128074 (Viçosa/MG, Federal) no top 10 de CH (4.ª, 701,7) e CN (2.ª, 683,5), com escores superiores à maioria das escolas privadas de capitais, demonstra que o modelo de escola pública federal vinculada a universidades pode produzir excelência acadêmica comparável às melhores instituições privadas do país.

Com N = 10, a escola demonstra consistência em duas áreas distintas (uma de humanidades, outra de ciências), sugerindo qualidade pedagógica transversal e não restrita a um único domínio.

A replicação desse modelo, com seletividade de ingresso controlada, articulação com a universidade e investimento por aluno adequado, constitui uma via concreta para ampliação da excelência na rede pública, ainda que sua escalabilidade seja limitada pela natureza institucional das universidades federais.

Relatório elaborado com base exclusiva nos microdados oficiais do ENEM 2024 processados pelo sistema BRAIN X – ENGINE by XTRI. Todos os valores citados correspondem exatamente aos dados fornecidos. Nenhuma fonte externa foi utilizada.

Analista responsável: ALEXANDRE EMERSON MELO DE ARAÚJO

Dicionário de Siglas — Estatística e Psicometria

Estatística Descritiva

  • N — Tamanho amostral: número de observações (participantes, escolas etc.) em um grupo. Quanto maior o N, mais confiável a estimativa.
  • Média — Soma de todos os valores dividida pelo número de observações. Sensível a valores extremos — pode diferir bastante da mediana em distribuições assimétricas.
  • Mediana (P50) — Valor que divide a distribuição ao meio: 50% dos participantes ficam abaixo e 50% acima. Menos sensível a valores extremos do que a média.
  • IQR — Intervalo Interquartílico: diferença entre o 3.º quartil (P75) e o 1.º quartil (P25). Mede a dispersão dos 50% centrais da distribuição, sendo robusto a valores extremos.
  • P25 — Percentil 25 (1.º Quartil / Q1): valor abaixo do qual se encontram 25% dos participantes. Marca o limite inferior da metade central da distribuição.
  • P75 — Percentil 75 (3.º Quartil / Q3): valor abaixo do qual se encontram 75% dos participantes. Marca o limite superior da metade central da distribuição.
  • Assimetria positiva (+) — Distribuição em que a média é maior que a mediana. Indica cauda longa no extremo superior: poucos candidatos com notas muito altas puxam a média para cima.
  • Assimetria negativa (−) — Distribuição em que a média é menor que a mediana. Indica cauda longa no extremo inferior: poucos candidatos com notas muito baixas puxam a média para baixo.
  • Delta (Δ) — Variação ou diferença absoluta entre dois valores. Ex.: Δ média−mediana = 26,3 pontos em Matemática.

Psicometria e TRI

  • TRI — Teoria de Resposta ao Item: modelo psicométrico que estima a proficiência do candidato com base nos parâmetros de dificuldade, discriminação e acerto casual de cada item, e não apenas no total de acertos.
  • ML3P — Modelo Logístico de 3 Parâmetros: modelo TRI que considera simultaneamente a dificuldade (b), a discriminação (a) e a probabilidade de acerto ao acaso (c) de cada item.
  • CCI — Curva Característica do Item: função que expressa a probabilidade de acerto de um item em função da proficiência do candidato no modelo TRI.
  • DIF — Funcionamento Diferencial do Item: fenômeno em que um item favorece sistematicamente um subgrupo de candidatos com a mesma proficiência, podendo indicar viés na elaboração.
  • MLE — Estimação por Máxima Verossimilhança: método de estimação de parâmetros que maximiza a probabilidade de observar os dados obtidos dado o modelo adotado.
  • MAP — Maximum A Posteriori: método bayesiano que combina a verossimilhança dos dados com uma distribuição a priori sobre os parâmetros para estimar a proficiência.
  • EAP — Expected A Posteriori: estimador bayesiano que calcula a média da distribuição a posteriori dos parâmetros de proficiência.

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