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AUTISMO NO ENEM

AUTISMO NO ENEM

Os candidatos COM AUTISMO NO ENEM ou declarados como autistas se multiplicaram por 15 em cinco anos

O dado está na Sinopse Estatística do Inep e diz respeito a alunos que estão hoje nas salas de aula do ensino médio, e usa a nomenclatura: AUTISTA

Em 2020, 1.592 inscritos no ENEM declararam autismo ao solicitar atendimento especializado. Em 2025, foram 24.276. No mesmo período, o total de inscritos caiu 17%.

O movimento não se limita ao autismo no enem. As declarações de déficit de atenção passaram de 9.899 para 39.402, isto é, praticamente quadruplicaram. Além disso, os pedidos de tempo adicional de prova mais que triplicaram, de 14.674 para 46.202.

Em contrapartida, as declarações de deficiência física recuaram de 8.606 para 7.953. Portanto, o crescimento não ocorre no conjunto das deficiências: ele está concentrado nas condições do neurodesenvolvimento.

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A série, ano a ano

AUTISMO NO ENEM
AUTISMO NO ENEM
  • 2020: 1.592 declarações de autismo no enem, 9.899 de déficit de atenção e 14.674 pedidos de tempo adicional
  • 2021: 1.951 de autismo no enem, 8.528 de déficit de atenção e 9.133 de tempo adicional
  • 2022: 3.040 de autismo, 10.518 de déficit de atenção e 10.956 de tempo adicional
  • 2023: 6.722 de autismo, 20.039 de déficit de atenção e 18.981 de tempo adicional
  • 2024: 14.090 de autismo, 29.832 de déficit de atenção e 30.682 de tempo adicional
  • 2025: 24.276 de autismo, 39.402 de déficit de atenção e 46.202 de tempo adicional

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O número de inscritos que declaram autismo mais que dobrou em 2023 e novamente em 2024, e cresceu outros 72% em 2025.

Em proporção, eram 3 a cada 10 mil inscritos em 2020 e passaram a 50 a cada 10 mil em 2025.

Por que isso interessa a quem mantém uma escola

Esses candidatos não são um público distante. Dos inscritos que declararam autismo em 2025, 14.386 ainda estavam no ensino médio, como concluintes ou como estudantes que fizeram a prova antes do último ano.

Em 2020, eram 912. No mesmo grupo, 21.268 declararam déficit de atenção, e 23.535 pediram tempo adicional de prova.

Em termos proporcionais, 1,9% dos concluintes inscritos declararam alguma necessidade de atendimento. Para uma escola com 100 alunos na 3ª série, isso equivale, em média, a dois estudantes.

Além disso, o ENEM já responde a essa demanda.

Em 2025, os recursos mais solicitados foram o tempo adicional (46.202 pedidos), o auxílio de ledor (23.472), o auxílio para transcrição (15.721) e a sala de fácil acesso (9.507).

Portanto, o aluno que tem direito a essas condições vai encontrá-las no dia do exame. A questão é saber se ele as encontra antes, na preparação.

O que o dado não diz

Convém ler esses números com cuidado. Em primeiro lugar, eles registram declarações feitas na inscrição, e não a prevalência dessas condições na população. Em segundo lugar, a sinopse não informa as causas do aumento, que pode refletir mais diagnósticos, mais informação sobre o direito ao atendimento ou as duas coisas.

Por fim, um mesmo inscrito pode declarar mais de uma condição, de modo que as colunas não devem ser somadas.

Ainda assim, a ordem de grandeza é clara: em 2020, 0,7% dos inscritos declararam alguma necessidade de atendimento; em 2025, foram 1,9%.

Três perguntas para quem aplica simulados

  1. O simulado da sua escola reproduz as condições que esse aluno terá no ENEM, como tempo adicional, ledor, transcritor e sala separada, ou todos fazem a prova no mesmo formato?
  2. A escola sabe quais alunos têm direito ao atendimento especializado e os orienta a solicitá-lo na inscrição do exame?
  3. Na leitura dos resultados, a nota desse aluno reflete o que ele aprendeu ou o formato em que foi avaliado?

Um simulado aplicado em condições diferentes das do exame informa pouco sobre esses estudantes e, em alguns casos, informa errado. Por isso, incluir o aluno neurodivergente no simulado não é apenas uma questão de acolhimento: é o que torna o resultado útil para ele, para a família e para a própria escola.

Fonte: Inep, Sinopses Estatísticas do ENEM 2020 a 2025 (tabelas 1.7, 1.8, 3.7, 3.8, 4.7 e 4.8). A nomenclatura “autismo” e “déficit de atenção” é a utilizada pelo Inep. Autismo no ENEM